Confira este roteiro completo pelo Vietnã, passando pelo norte, centro e sul do país.
Roteiro no Vietnã
A Ásia é provavelmente meu continente favorito. Assim, resolvemos, mais uma vez, visitar a região, fazendo um roteiro que passava pelo Norte da Tailândia, Mianmar, Vietnam e Malásia, nesta sequência.
Nós começamos a explorar o VIETNAM pelo norte, mais precisamente, por Hanói, a capital, sendo que vínhamos de MIANMAR, outro país, igualmente situado no sudeste asiático.
Dia 16/12/2025: Hanói
Como havíamos chegado muito tarde na noite anterior, apenas descansamos no hotel na manhã do primeiro dia (Hotel Flower Garden).
Lá pela hora do almoço, decidimos, então, dar uma volta na cidade.

Confesso que tive uma primeira impressão muito ruim do país, ao caminhar pelo centro antigo de Hanói.
Trânsito caótico, milhões de motocicletas, calçadas impedidas, falta de respeito à faixa de travessia, entre outros, fazem da vida do pedestre um diabólico desafio em Hanói.
Isso sem mencionar a poluição sonora e atmosférica.
Porém, encontrei o meu cantinho em Hanói: a fabulosa Rua do Trem.

Trata-se de uma região atravessada pelo trilho do trem, ao redor do qual foram surgindo diversos cafés, bares e restaurantes. É um verdadeiro caleidoscópio e não há nada mais agradavelmente exótico na metrópole!


O trem passa por ali a cada hora e meia, causando frenesi nos turistas e, claro, derrubando algumas mesas, uma vez ou outra (mas é raro).


A vontade é de sentar-se em todos os estabelecimentos, porém, mesmo passando a tarde toda lá, conseguimos sentar em apenas dois bares diferentes e um café.


Na volta, paramos em algumas das centenas de lojinhas de esporte e aventura, as quais vendem produtos “replicados” das marcas North Face, Columbia, entre outras.
Para encerrar o dia, jantamos em um restaurante chamado Nikusho, cuja especialidade é carne wagyiu.

Dia 17/12/2025: Hanói
Neste dia, iniciou-se nosso tour guiado, que havíamos contratado de antemão.
Logo cedo, encontramos com nosso guia e com nosso grupo, na recepção do hotel.
Em seguida, apanhamos uma van e começamos o passeio.
O primeiro ponto de parada foi o Templo da Literatura, que já foi, no passado, uma universidade (a primeira do Vietnã – ano 1076 d.C.).

Trata-se, atualmente, de um templo confucionista e conta com um estilo arquitetônico tipicamente vietnamita. Lá, o guia nos explicou um pouco sobre o Confucionismo (que prega que cada um tem seu papel na sociedade, além de adoração aos antepassados, entre outros princípios).
Entre jardins, fontes e lagos, encontramos altares cobertos e pagodas (templo budista). Estão à mostra, ainda, lápides sobre estátuas de tartarugas, com os nomes dos melhores estudantes da universidade e suas respectivas notas. Por que tartarugas? Porque elas representam longevidade e sabedoria.

Repare que, antes do Século XVIII, a escrita vietnamita era igual à chinesa. Apenas após esse período que foi adotado o alfabeto latino, por influência dos sacerdotes portugueses e franceses, que foram para o Vietnã impor o cristianismo.
Centro histórico de Hanói
Saindo do templo, retornamos ao centro antigo de Hanói e fizemos um curto passeio de “bike poussé”, que é um transporte verde, movido por uma bicicleta.
Ainda no centro antigo, visitamos o Lago Hoan Kiem (ou Lago da Espada Restituída) e o Templo Ngoc Son que repousa sobre ele.

O lago leva esse nome porque, segundo uma lenda vietnamita, deuses enviaram uma espada mágica ao imperador do Vietnam, que, como ela, conseguiu vencer os invasores chineses e expulsá-los do país. Posteriormente, um animal mitológico (uma espécie de tartaruga) emergiu das águas do lago, para recuperar a espada mágica – por isso o nome “Lago da Espada Restituída”.
Sobre as águas do lago há uma pequena ilhota, dominada pelo Templo Taoísta Ngoc Son.

Pela tarde, visitamos a casa de uma florista, que nos demonstrou como se prepara uma cesta de flores, para oferendas. Ainda ali, tomamos chá, comemos toranja e macadâmia.

Fizemos uma parada para almoço, em um restaurante simples, porém sensacional. Aliás, a comida vietnamita é divina e me impressionou muitíssimo.
Nossa última visita do dia foi ao Mausoléu do Ho Chi Min, um edifício com formas geométricas e bastante austero, que segue o estilo do mausoléu de Lenin, em Moscou. O corpo embalsamado do falecido líder Ho Chi Min fica no interior do edifício.

Por fim, retornamos para o hotel e lá jantamos.
Religião no Vietnã
As 3 principais religiões do Vietnam são taoismo, confucionismo e budismo. Assim, dessa vez, aprendemos um pouco sobre o taoismo, religião fundada por Lao Tsé. Esta religião prega regras sobre a interação do ser humano com a natureza (ao passo que o confucionismo prega regras de convivência entre os seres humanos e deles com seu governo). Além disso, o taoísmo tem como princípios o yin/yang (equilíbrio), feng shui e a prática de tai chi chuan.
Dia 18/12/2025: Halong Bay
Conforme nosso itinerário, o próximo ponto de visita no Vietnã era a famosa Baía de Halong, eleita como uma das Sete Maravilhas Naturais do Mundo.

Um micro-ônibus nos levou de Hanói para a cidade de Halong. De lá, apanhamos um minicruzeiro, pela baía.

“Halong” significa “onde o dragão entra no oceano”.
Navegamos entre as curiosas ilhotas e formações rochosas de calcário (há cerca de 2000 delas).

Depois de almoçarmos no barco, fomos andar de caiaque.

Além disso, visitamos uma caverna e uma praia.


Na volta, tomamos alguns drinks no deck do barco, juntamente com nosso grupo, e depois jantamos.
Dia 19/12/2025: Halong Bay
Ainda em Halong Bay, acordamos cedinho para a prática de tai chi, no deck do barco.
Após o café da manhã, visitamos a grande caverna de Hang Sung Sot.



Navegamos um pouco mais pela baía e depois retornamos para o porto.
A van nos levou até o aeroporto de Hanoi, onde apanhamos um voo para Da Nang.
Seguimos, então, para a pitoresca cidade de Hoi An, a mais bela do Vietnã, em minha opinião.
Hoi An
Hoi An é igualmente conhecida como a “Cidade das Lanternas”, devido às milhares de lanternas artesanais de seda que iluminam suas ruas e casas. Além disso, suas estreitas ruelas, arquitetura histórica e atmosfera mágica lhe concederam o título de Patrimônio da Unesco.

De noite, caminhamos pelo centro antigo da cidade, percorrendo as ruelas e passagens coloridas pelas lanternas.


Além disso, passeamos de canoa pelo Rio Thu Bon e soltamos lanternas na água, para seguir a tradição local.



Por fim, jantamos no muito bem recomendado restaurante Cargo Club, situado na beira do rio.
Dia 20/12/2025: Hoi An
Centro histórico
Pela manhã, passeamos mais um pouco pelo gracioso centro antigo de Hoi Na, o qual é formado, primordialmente, pelos Bairros Japonês e Chinês. Visitamos, também, alguns pontos históricos.



Em primeiro lugar, visitamos a Casa Tan Ky, que é a residência mais antiga de Hoi An.

Em seguida, conhecemos um colorido Templo Chinês, do Século XVII.



Entramos, ainda, no Museu da Cultura Antiga Cham (ou Champa). Hoi An era a sede do reino Champa, uma etnia hindu, do século II, a qual, após se fundir com outros povos, deu origem à etnia vietnamita.
Passamos, também, pela emblemática Ponte Coberta Japonesa. Construída no ano 1590 d.C. para ligar o Bairro Japonês ao Bairro Chinês, ela ainda preserva seu design original, embora já tenha sido reformada.

Um dos lugares que achei mais interessante em nosso tour pela cidade foi um tear de seda, onde se demonstra todo o processo de produção do tecido (desde a criação das larvas produtoras do insumo, até as pinturas manuais).

Vale dizer que o Vietnam é também um grande produtor de seda, assim como sua vizinha, a China.


Caminhamos mais um pouco pelas charmosas ruelas e tomamos o famoso café vietnamita (delicioso!).

Parque Sun World e Ponte Dourada
Na parte da tarde, seguimos para as montanhas de Ba Na (o nome vem de “banana”, em francês, porque estas montanhas eram repletas de bananeiras). Ali fica o famoso Parque Sun World, bem como a Ponte Dourada, um dos lugares mais fotografados do Vietnã.


A icônica ponte data do ano 2018 e já saiu em revistas de turismo, como sendo uma das mais charmosas do mundo.


O parque é bastante extenso, então, não conseguimos conhecê-lo por inteiro. Mas, conseguimos, ao menos, passear pelos jardins, visitar as pagodas e ver o maior Buddha sentado do Vietnã.

De noite, jantamos no restaurante Secret Garden e caminhamos mais um pouco pela colorida noite de Hoi An.

Dia 21/12/2025: Da Nang e Hue
Neste deia, fomos de ônibus (fretado) de Hoi An para Hue, passando por Da Nang.
Da Nang
Em Da Nang, visitamos o Templo Budista Linh Ung, onde fica a estátua mais alta de Buddha no Vietnã.

Nos jardins do templo, há 18 estátuas, representando alunos de Buddha, sobre deuses em forma de animais.


Ainda em Da Nang, cruzamos a Ponte do Dragão.
Chegamos, então, à emblemática Cidade Imperial de Hue.
Hue – Tumbas Reais
Depois de almoçar, visitamos a Tumba do Imperador Tu Duc, que era da dinastia Nguyen.


Só para relembrar, os chineses dominaram o Vietnã, do Século I ao X. Quando os chineses foram expulsos, o Vietnã passou a ser governado por dinastias próprias, em um total de dez. A mais importante destas dinastias foi a Nguyen, que foi a última. Seu domínio perdurou de 1802 a 1945 e sua sede era Hue.
Parte do período de duração dessa dinastia foi durante a independência do Vietnam. Mas, depois que o Rei Tu Duc da dinastia Nguyen morreu, um de seus sobrinhos assumiu o trono e, durante seu reinado, o Vietnam foi tomado pelos franceses, os quais faziam o monarca de fantoche.
A Tumba do Imperador Tu Duc foi construída por ele mesmo, entre 1864 e 1867, sendo que ele inclusive chegou a residir lá, em vida.

Para finalizar o passeio, fomos a uma oficina de incensos. Eu até fiz um!


Nossa noite, foi animada. Primeiro, jantamos no Restaurante Madam Thu.

Em seguida, fomos a um barzinho, chamado Brisa Cubana, onde nosso guia se apresentaria, como cantor. Dançamos à beça!
Dia 22/12/2025: Hue
Visitamos mais uma tumba real, desta vez, a do Imperador Khai Dinh, igualmente da dinastia Nguyen. Ele governou de 1916 a 1925, mas era, na realidade, um fantoche dos franceses.

Sua suntuosa tumba conta com um estilo flamboyant.

Além disso, seu interior é ricamente ornamentado com mosaicos e porcelanas coloridas.


Seguimos, então, para a Pagoda Thien Mu.
Erigido em 1601, este é o templo budista mais antigo de Hue e se situa nas margens do Rio Perfume. Ele é retratado nas notas de 500 dong (moeda do Vietnã).


Passamos por um mercadão e, finalmente, seguimos para a principal atração de Hue, ou seja, a Cidade Imperial.
Cidade Imperial de Hue
A Cidade Imperial abrange uma grande área, incluindo uma parte da cidade que tem residências e comércio.
Por outro lado, no centro da Cidade Imperial, situa-se a Cidadela Imperial, que é cercada por muralhas e conta com 10km de circunferência. Sua entrada é realizada por um portão, em arco.

Não bastasse, há também a “cidadela da cidadela”, chamada de Imperial Enclosure, que se inicia a partir do portão Ngo Mom. O portão, datado de 1833, era de uso exclusivo do Imperador.


A primeira coisa que vimos depois deste portão foi o Palácio Tai Hoa, com colunas e painéis coloridos, e o qual era usado para recepções oficiais e cerimônias importantes.

Atrás do Palácio Tai Hoa, fica o Hall dos Mandarins (“mandarins” eram os conselheiros do imperador): a Cidade Púrpura Proibida começa a partir daqui.
No interior da área da Cidade Púrpura Proibida, de um lado, se situavam os alojamentos para homens e, do outro lado, para mulheres.

Passamos pelo Teatro Real, Jardins de Bonsais (Jardim Co Ha), Sala de Leitura do Imperador e, por fim, na Residência Real.

O Teatro Real sedia apresentações até os dias de hoje.

A Sala de Leitura do Imperador foi o único edifício da Cidade Púrpura Proibida que não foi destruído durante a reocupação francesa, preservando suas instalações originais.

A Residência Real é um edifício que acaba de ser reconstruído (foi reconstituído há apenas dois anos). Era a morada do Imperador e, definitivamente, a construção mais bonita do complexo.





Almoçamos em um restaurante francês e, pela tarde, apanhamos um voo para Ho Chi Min City.
Ho Chi Min City
Como chegamos de noite em Ho Chi Min City, fomos passear por uma rua maluca, chamada rua de pedestres Bui Vien. Os inúmeros painéis luminosos e música alta nesta via nos faz pensar que estamos em Nova York ou alguma metrópole europeia.

Além disso, a rua é repleta de bares, clubes noturnos e boates: mas o mais interessante é que as dançarinas tentam atrair os clientes dançando sobre as mesas, posicionadas na área externa.

Dia 23/12/2025: Túneis de Cu Chi
Pela manhã, fizemos um tour até os Túneis de Cu Chi (setor Ben Dinh), que fica a uma hora de Ho Chi Min City.
Este é um dos lugares mais simbólicos do Vietnã.
Com mais de 250 km de extensão, esse emaranhado de estreitos túneis foi a estratégia chave que levou à derrota do invasor americano, durante a Guerra do Vietnã. A guerra se prolongou por mais de 10 anos e a resiliência dos vietnamitas foi o ponto central. Os guerrilheiros vietcongues se ocultavam nos túneis, durante o dia, e saíam durante a noite para contra-atacar e posicionar armadilhas.





Além dos túneis, havia salas subterrâneas interligadas, que funcionavam como hospitais, cozinhas e quartéis.
Por mais que os americanos tentassem, eles não conseguiam localizar a entrada dos túneis, nem mesmo com o emprego de cães farejadores. Quando eles encontravam uma parte dos túneis, eles lançavam gases e explosivos, mas conseguiam destruir apenas uma pequena fração da longa rede subterrânea, a qual se subdividiam em vários setores.
O visitante, além de receber uma extensa explicação sobre o lugar, ainda pode caminhar pelos claustrofóbicos túneis e entrar nos bunkers. É uma experiência e tanto!



No final do percurso, há um pequeno museu exibindo artefatos da guerra, além de uma lojinha de souvenirs.

Voltamos, então, para Ho Chi Min City, onde almoçamos.
Centro histórico de Ho Chi Min City
Pela tarde, passeamos pelo centro histórico de Ho Chi Min City, cuja arquitetura é essencialmente francesa.
Passamos pelo Palácio da Reunificação, Igreja Notre Dame, Estação Central do Correio, Ópera, bem como pela Prefeitura e Estátua de Ho Chi Min.
O Palácio da Reunificação é um importante marco histórico, pois marca a queda de Saigon e do Vietnã do Sul, foi tomado por tanques do Vietnã do Norte, comunista, em 30 de abril de 1975.

A Estação Central do Correio, em estilo colonial francês, foi construída no ano 1886 e ostenta pinturas de mapas antigos em suas paredes internas.



Além disso, percorremos a rua de pedestres Nguyen Hue, onde fica o famoso edifício de cafés.

No final da rua Nguyen Hue, encontramos a orla do rio, ou Riverfront. Dessa forma, a partir de lá, foi possível visualizar os principais arranha-céus da cidade.

Como era véspera da véspera de Natal, jantamos com o grupo em um restaurante bem charmoso, chamado Ann Quan.

Porém, a comida era esquisitíssima. Me serviram algo que até hoje não sei identificar o que era, mas que parecia ser algo animal, com tutano e cartilagem, e com um sabor muito ruim. Me senti no filme Indiana Jones e o Templo da Perdição, quando serviram no jantar cérebro de macaco!

Por fim, passamos novamente pela Prefeitura e Igreja Notre Dame, que estava lindamente iluminada.


Breves relatos históricos sobre o Vietnã
O território atual do Vietnam foi dominado pela China, do Século I ao X d.C., o que certamente influenciou de maneira profunda sua cultura, suas técnicas agrícolas, sua medicina e sua religião.
Durante o período compreendido entre o Século II e o XVII, d.C., na região central do Vietnã, floresceu o Reino Champa, de etnia hindu, que foi posteriormente absorvido pelo império vietnamita.
O Império Vietnamita, por sua vez, se consolidou a partir do século X d.C., ou seja, após a expulsão dos chineses, e perdurou até o ano de 1945. Durante a 2ª Guerra Mundial, o Vietnã passou por um breve período de dominação japonesa.
Por outro lado, paralelamente a esses acontecimentos históricos, o Vietnã foi um Protetorado francês, entre os anos de 1883 e 1954.
Em 1954, após a expulsão dos franceses, o Vietnã foi separado entre a parte Norte (comunista) e a parte Sul (anticomunista).
Pouco tempo depois, ou seja, nos anos 60, veio a Guerra do Vietnam, contra os americanos, os quais invadiram o país para repelir a suposta “ameaça comunista” vinda do Norte.
A guerra terminou em 1973 e, em 1975, o Vietnam foi finalmente reunificado.
Fim da viagem
Depois que concluímos esta agradável estada no Vietnã, apanhamos um voo para Kuala Lumpur, na Malásia.
Não deixe de conferir, por fim, nossos posts sobre o Norte da Tailândia e Mianmar, que visitamos na mesma viagem.

